Com tratamento, calvície tem solução

Só quem recebe a “sentença” sabe o quão terrível ela é. Não é fácil acordar numa manhã qualquer e, pelo espelho, saber que você não é o mesmo, ao menos fisicamente. Quando a telha começa a faltar, inevitavelmente, a calvície vem acompanhada de um sentimento de declínio de nosso corpo, por mais de ferro que seja a saúde do indivíduo.

Mais comum no final da adolescência, a queda de cabelos de origem hereditária, denominada formalmente alopécia androgenética, é o terror, na maioria, para os homens, mas também pode ocorrer entre as mulheres.

Entre as “vítimas” do sexo masculino, explicam médicos, os cabelos ficam mais finos, geralmente na região da coroa, até desaparecerem por completo. Nas mulheres, em alguns casos, a calvície é “camuflada”, comentam especialistas. Algumas delas nem percebem que carregam os genes.

“Engana-se quem acha que a queda de grandes fios, geralmente encontrados no pente, ocorre em decorrência da calvície”, comenta o cirurgião plástico João Francisco Gabriele. “Nas mulheres, o que ocorre é uma diminuição da densidade”, diferencia o especialista, que estudou diretamente com o renomado cirurgião Ivo Pitanguy.

De acordo com o médico, os fatores genéticos influenciam no surgimento ou não da calvície. Contudo, explica, não existe uma regra que determina grau de hereditariedade. Ou seja, o gene pode ser transmitido não necessariamente de pai para filho, mas de qualquer outro antecessor. “É um traço genético, união aleatória de DNAs”, esclarece. “(A calvície) pode ser herdada tanto de pai quanto de mãe. Conforme a idade, o DHT, subproduto da testosterona (hormônio masculino) vai à raiz e provoca a queda”, acrescenta o dermatologista Cláudio Sampieri Tonello.

A substância de origem hormonal se aloja no folículo capilar, incapacitando o nascimento de novos fios, que ficam ralos gradativamente a partir da queda total. O folículo, salienta o cirurgião plástico, além de fios e raízes também é composto por glândula e gordura, uma espécie de cápsula dentro do couro cabeludo.

Os tratamentos, acentuam os médicos, variam de caso para caso. Contudo, no geral, o mais comum, para quem não quer passar por uma cirurgia de transplante capilar, procedimento popularmente chamado de “implante”, é partir para o medicamento, no caso a aclamada finasterida. O remédio, inicialmente, relembra o dermatologista, era administrado em pacientes com câncer na próstata.

Conforme o tratamento avançava, alguns deles, cita o médico, apresentavam aceleração no crescimento ou até o ressurgimento de cabelo, até que o mesmo composto começou a ser utilizado também no combate à queda de cabelo provocada pela calvície. “Em dosagem menor do que no tratamento de próstata, é eficiente e, segundo alguns relatos, resulta até no nascimento (de fios) de onde não havia mais”, salienta Tonello.

Entretanto, pacientes também podem se confundir, pondera o cirurgião plástico. Cabelo que estava fino e circunstancialmente engrossou durante eventual tratamento pode dar a impressão do ressurgimento de fios que já haviam caído, ressalva Gabriele.

No caso do tratamento com medicação, observa o dermatologista Tonello, como se trata de bloqueio de subproduto hormonal, pode haver, como efeito colateral, a diminuição da libido. Contudo, nada que seja alarmante, tranquiliza o especialista. “São efeitos que ocorrem em menos de 5% dos pacientes”, estima. Entretanto, cessado o medicamento, a queda ressurge. Muitos pacientes, comentam médicos, tomam regularmente a medicação antes de partirem para um transplante capilar.

Cirurgia

Outro meio carregado por temores ou mitos, a operação, atualmente, graças a técnicas aprimoradas nos anos 1990, tem grande eficácia e, diferentemente de métodos ultrapassados, não provoca mais o famigerado “cabelo de boneca”.

As técnicas antigas, diferencia o cirurgião plástico, consistiam na implantação apenas dos tufos de fios, fazendo com que a região que recebeu o “cabelo novo” ficasse com volume desproporcional e incongruente ao “natural”.

Atualmente, detalha o especialista, todo o bulbo capilar (fios e glândula) são substituídos, em técnica popularmente chamada de “fio a fio”. “É retirado o bulbo de regiões sem tendência à queda, especificamente a nuca. Como não há pré-disposição, não cai mais, independentemente onde é implantado”, garante, atribuindo o sucesso do procedimento, realizado na maioria das vezes com anestesia local, ao advento da microscopia. “O segredo é que fique discreto, sem soar artificial”, detalha. “O pós-operatório também é tranquilo, com o curativo tirado após dois dias. Depois desse período, o paciente pode lavar a cabeça normalmente. O paciente vai para casa no mesmo dia, sem internação ou afastamento do trabalho”, incentiva o especialista, que não entrou em detalhes sobre valores, que variam muito, do procedimento. “Hoje já é uma cirurgia bem acessível”, considera o médico.

Técnica

O cirurgião plástico explica que uma operação nesses moldes, apesar de considerada simples, demanda em torno de seis horas. Isso porque, após retirada da área doadora, a unidade folicular passa por um processo de preparação sob microscópio.

Nesse período, explica o médico, em torno de mil a 1,5 mil bulbos são retirados e preparados até serem realojados nas áreas atingidas pela calvície. “Depois que nasce o fio nessa unidade folicular, não cai mais. Ela pode ser colocada em qualquer parte do corpo, que nasce o cabelo”, atesta.

Fonte: JCnet

Data de criação: 29/03/2011
Última atualização: 29/03/2011

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